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Postado em 12/06/2019

No futuro, os caminhoneiros só poderão ser contratados por meio de aplicativos

O site da Revista Carga Pesada foi palco de uma grande polêmica nos meses de março e abril. O debate começou com a manifestação do ex-líder dos caminhoneiros, hoje assessor no governo federal, Fábio Roque. Para o gaúcho, a categoria perdeu poder de barganha com o surgimento dos aplicativos de frete.

O raciocínio dele é que, antes, quem precisava do serviço de transporte tinha de correr atrás dos motoristas espalhados pelas estradas de todo o País. Hoje, a distância entre quem contrata e quem executa o transporte é de apenas um clique, o que transformou a negociação do frete em um verdadeiro leilão. O caminhoneiro que cobrar menos leva.

“Antigamente, o caminhoneiro viajava dois ou três dias até seu destino, aguardava a descarga e tinha de sair em busca de novo frete para voltar para casa. Não havia celular e ele usava ficha telefônica para tentar achar carga. Muitas vezes o orelhão não funcionava e a viagem de volta atrasava”, recorda Roque. Embarcadores e agenciadores montavam escritórios nos postos de rodovia para atender o caminhoneiro.

A distância em relação ao motorista obrigava o contratante a oferecer valores mais atrativos para o frete. “A transportadora passava a carga para três ou quatro agenciadores que tinham sede nos postos de beira de estrada. Em alguns casos, entrava mais uma figura, a dos chapas. Eram pessoas que faziam serviços de descarga e tinham como bico arrumar carga para caminhoneiros”, conta. No final da linha, o motorista tinha mais força para negociar o frete.

Com a chegada dos aplicativos, tudo mudou. “Embarcadoras, transportadoras e agenciadores publicam suas cargas na rede e quem corre atrás delas é o caminhoneiro. Em fração de segundos, uma mesma carga é compartilhada por 20 mil caminhoneiros”, ressalta. O motorista perdeu o poder de barganha.

Os aplicativos, segundo Roque, também desmotivaram as empresas de transporte a manterem frota. “Aumentou a subcontratação de caminhoneiros autônomos e empresas de pequeno porte devido à facilidade de conexão com o motorista. Até mesmo os antigos chapas se tornaram ‘empreendedores’ adquirindo notebooks para intermediar a carga”, alega.

 

Com um computador embaixo do braço, diz o gaúcho, levam uma fatia do rendimento do caminhoneiro, que precisa comprar veículo, dar manutenção, pagar seguro, ficar sujeito a multas e rodar 16 horas por dia.

meio digital – O empresário Carlos Mira, CEO da TruckPad, procurou a revista para rebater as declarações de Fábio Roque. Para ele, num futuro não muito distante, os caminhoneiros só serão contratados por meio de aplicativos instalados em seus smartphones. As agenciadoras vão desaparecer dos postos de combustíveis e as transportadoras não vão querer negociar frete pessoalmente ou por telefone.

O empresário nega que os aplicativos retirem o poder de barganha dos caminhoneiros. “Com o crescimento dos aplicativos e o fim dos agenciadores, o caminhoneiro vai ter mais poder. Ele vai poder escolher o melhor frete”, alega. “Hoje isso já acontece, o motorista tem vários aplicativos à disposição e uma oferta grande de frete no seu próprio celular”, complementa.

Mira ressalta que a contratação de serviço de transporte por aplicativos é uma tendência irreversível. “As plataformas vieram para ficar. Quanto mais cedo o motorista autônomo se adaptar, melhor.”

Ele sugere aos caminhoneiros entrarem nos aplicativos de frete e preencherem com cuidado os cadastros. “Coloque os dados pessoais, os dados dos veículos, seus documentos, anexe a cópia da CNH”, explica. “Quando o motorista faz seu cadastro direitinho, ele já fica pré-aprovado pela empresa”, alega.

Segundo Mira, há transportadoras que não querem mais o motorista “batendo na porta pedindo para falar com o encarregado de frete”. Elas querem buscar o motorista que esteja mais perto e com o veículo ideal para a carga. “Por meio do aplicativo e do GPS isso é muito mais simples”, diz o empresário.

 PARCERIA – A Tora Transporte, com sede em Contagem (MG), estabeleceu o fim do ano como prazo a partir do qual só vai contratar terceiros por meio de aplicativo. A empresa, que carrega carga geral, tem 450 veículos próprios e contrata entre dois mil e três mil autônomos por mês.

A presidente Janaína Araújo diz que atualmente esses terceiros são contratados nas 64 filiais que a transportadora mantém pelo País. “Normalmente, são eles que nos procuram nesses locais.”

A Tora estabeleceu uma parceria com a TruckPad com o objetivo de aumentar a “capilaridade e diminuir o tempo de captação” dessa mão de obra. “Teremos 100% das contratações feitas pelo aplicativo”, garante a empresária.Segundo a TruckPad, no futuro, os caminhoneiros só serão contratados por meio de aplicativo


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